Deu pane no sistema, deu pane na mente!



ROTINA DE….Deu pane no sistema, deu pane na mente – de repente a mente vai esquecendo-se das palavras e você fica com “cara de paisagem” as pessoas ao seu redor demonstram um sentimento de piedade e querem ajudar tentando completar as palavras que não saem de sua boca…
Você quis dizer rotinas de uma casa feliz não foi isso?
Ele responde não foi isso, esqueci que ia dizer… O velho alemão me pegou (Mal de Alzheimer) sem piedade tirou meu lar, minha família, meus netos e restou somente uma casa vazia na minha mente…


O Alzheimer é uma doença neuro-degenerativa que provoca o declínio das funções intelectuais, reduzindo as capacidades de trabalho e relação social e interferindo no comportamento e na personalidade. 
De início, o paciente começa a perder sua memória mais recente. Pode até lembrar com precisão acontecimentos de anos atrás, esquecer de que acabou de realizar uma refeição. Com a evolução do quadro, o Alzheimer causa grande impacto no cotidiano da pessoa e afeta a capacidade de aprendizado, atenção, orientação, compreensão e linguagem. 
A pessoa fica cada vez mais dependente da ajuda dos outros, até mesmo para rotinas básicas, como a higiene pessoal e a alimentação.


Maria Jeremias dos Santos

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Manchete do jornal de hoje

PROFESSOR SEM AULAS! – eis a manchete do jornal de hoje!
Escolas fechadas e as que estão abertas estão com superlotação de alunos, até 45 jovens esmagados pelo sistema dentro de um quadrado de cimento com mentes vazias de aprendizado… São tantos comentários para a desvalorização da educação, do professorado que gera a dúvida: culpa-se o sistema de ensino, o Governo ou a população subdesenvolvida de tais provenientes.
Leituras, livros, projetos, incentivo ao aluno é o que se cobra os dirigentes de seus professores para fazer o “milagre da educação”  que funciona aos trancos e barrancos. Querem apenas metas a ser cumpridas á curto prazo e relatórios em cima da mesa do coordenador, eis a ordem!
Que mais quer, diz um professor cansado… que fica sem respostas, pois, o coordenador vira as costas e vai para seu quadrado particular, digo sua sala cheia de papéis em cima da mesa, com calendários e etiquetas coladas em seu PC escrito “entregar relatório dia 05/03 até as 9 h”. Isso sem abrir sua gaveta, que contém dezenas de bilhetes iguais á esse com prazos para ser entregues na data de ontem.
De repente ouve-se  um palavrão no corredor e um professor que grita na porta da sala ” se não quer estudar porque veio na escola” e lá se vai o aluno, descendo escadas abaixo e  respondendo aos berros, depois do palavrão “porque minha mãe me obriga”…. 
Assim vivemos, empurrando muitas coisas com a barriga, hoje é nosso trabalho, amanhã é nossa vida e vamos deixando o dia passar e acreditando que amanhã será um dia melhor.

Maria Jeremias Santos

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Mamy Help me”




Minha filha sumiu na área, dizia ela!
Nenhum telefonema será que está bem, só preocupações, meu Deus! Ela simplesmente esquecera-se de ligar, pedindo dinheiro, pedindo favores, exigindo carinho, ausência daquela carta prometida via correio que nunca chegara, cobrando aquela ligação demorada que não foi feita para falar de seus anseios, de seus planos para o futuro, das brigas com o namorado que se estranham a todo momento, do desabafo entre mãe e filha, etc…
Por um lado isso é bom, dizia a mãe – é sinal que as coisas do lado de lá caminham bem e ela não precisa de mim… Senão já daria o alerta: “Mamy Help me!”
Na semana retrasada o “whatsApp”  não parava de chegar mensagens a todo instante, bombardeando a caixa postal com inúmeras msg de “Mamy help me!” precisando com urgência de artefatos para ser enviados via correio tudo porque o estoque estava vazio, perguntava porque deixa tudo pra última hora sabendo que ia precisar de tais produtos, com toda inocência, ainda de menina responde “porque eu vi só agora”.
E lá vai ela, a pobre mãe a correr contra o tempo para suprir os desejos da menina mimada que sempre fora – filha única  é assim mesmo dizia vovó!
Erros de quem, da mãe mimar a menina ou do mundo consumista de suprir carência pagas por desejos materiais realizados por ausência de pais ausentes que refugiaram-se nos seus trabalhos para dar o que não tiveram em sua infância para sua filha amada.
 Não importa culpar a mãe ou o mundo, a realidade existe: filho é pra sempre e não importa onde vá, leva a metade de seu coração pelo mundo adentro. E onde estiver, mamãe vai estar atenta ao  chamado de sua cria e vai ajudá-la porque o seu íntimo vai exigir o grito interno que não cessa: onde está meu baby agora?





Maria Jeremias dos Santos

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Bobeie, que faço um estrago em você!

Bobeie, que faço um estrago em você!


Foi com essa  frase que ouvi hoje, um rapaz dentro do ônibus falar para uma garota que simplesmente ignorou a criatura, digo o indivíduo, desviando seu olhar, desceu do ônibus com toda sua elegância e seguiu seu caminho.
Fiquei a pensar: será que isso foi uma ameaça ou uma cantada… mas pelo olhar do cidadão tive certeza que era uma cantada, bem moderna ou estranha pra mim.
Na altura dos meus 40 anos bem vividos, graças a Deus ainda fico surpresas com as cantadas ou gírias que ouço entre os jovens, na sala de aula (sou professora)  cada vez mais ela são mais estranhas ou enigmáticas, uma vez ouvi  um jovem dizer “cai dentro do meu barraco que vou mostrar como uma boneca sorri de verdade” não tive como deixar de rir e perguntei ao jovem” vem cá traduz isso pra mim – o que isso quer dizer” ele simplesmente disse : é um convite pra “MIMI” (o nome da garota era Michele) aceitar dar uns “agarros” nela, porque ela dá mole e me escapa sempre… 
Olhei pra MIMI ela com o dedo na boca, a sapeca realmente dava umas olhadas pro jovem galanteador….
Creio que preciso atualizar-me com essas gírias que mudam a cada dia com a mesma velocidade da luz, mas, confesso é muito difícil, parece as novidades da tecnologia – o que eu sabia há 4 horas atrás já ficou velho e já se modernizou!

Maria Jeremias dos Santos

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Retrato

Eu não tinha este rosto hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem lábio amargo

Eu não tinha estas mãos sem forças,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
– Em que espelho ficou perdida
A minha face?


Cecília Meireles
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Um homem do mundo me perguntou…

Entrevista (Adélia Prado)
Um homem do mundo me perguntou:
o que você pensa do sexo?
Uma das maravilhas da criação eu respondi.
Ele ficou atrapalhado, porque confunde as coisas
e esperava que eu dissesse maldição,
só porque antes lhe confiara:
o destino do homem é a santidade.
A mulher que me perguntou cheia de ódio:
você raspa lá? Perguntou sorrindo,
achando que assim melhor me assassinava.
Magníficos são o cálice e a vara que ele contém,
peludo ou não.
Santo, santo, santo é o amor que vem de Deus,
não porque uso luva ou navalha.
Que pode contra ele o excremento?
Mesmo a rosa, que pode a seu favor?
Se “cobre a multidão dos pecados e é benigno,
como a morte duro, como o inferno tenaz”,
descansa em teu amor, que bem estás.
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Dar é não fazer amor (Luiz Fernando Veríssimo)

Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca…
Te chama de nomes que eu não escreveria…
Não te vira com delicadeza…
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar….
Sem querer apresentar pra mãe…
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral…
Te amolece o gingado…
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem
esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.

Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar
o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
‘Que que cê acha amor?’.
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho…
É não ter alguém para ouvir seus dengos…
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.

Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar…

Experimente ser amado…
(Autor- Luiz Fernando Veríssimo)
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Vontade de ser enganada (um conto a la Nelson Rodrigues)

Beatriz era um anjo. Com dezessete anos ninguém nunca soubera que já tivesse namorado. Vivia para a casa e os estudos. Era pra casar, como diziam as tias mais carolas.
Acontece que em contraste ao seu perfil cândido, só se interessavam por ela os tipos mais ordinários, dentre os quais se destacavam os casados, que, sem nenhum pudor em esconder seu estado civil, propunham a ela as aventuras mais inconfessáveis. Escandalizada, Beatriz os rechaçava e em síntese impetuosa declarava às colegas:
– Homem nenhum presta!

Até que um dia no corredor da faculdade conheceu Praxedes, rapaz sério, estudioso, reconhecido por seus feitos acadêmicos. Passaram uma semana trocando olhares até que finalmente combinaram se encontrar numa lanchonete.
Beatriz foi um brinco para o encontro, carregando nos olhos o brilho da esperança de ter encontrado um rapaz direito. Quando chegou, Praxedes já a esperava, as mãos pousadas sobre a mesa, uma sobre a outra. Mal ela sentou, o rapaz começa:
– Preciso te contar uma coisa.
– O quê?
– Eu gosto de ti.
Beatriz aliviada com as palavras, suspirou.
 Mas sou casado.
Atônita com a revelação, confirmada quando o rapaz levantou as mãos e mostrou a aliança, conseguiu apenas dizer:
–Você também…?
– Pois é.
Mas a despeito dos seus estudos, Praxedes era como os outros e começou a ladainha para conquistar a pequena. Dizia que aquilo era apenas um detalhe, que o importante era o amor e que nada ia os impedir de ficar juntos. Desfiou, enfim, toda a cartilha que convém a um canalha. Beatriz, porém, apenas balançava a cabeça, irredutível:
– Não. Assim não dá. Assim não quero.
Praxedes insistia:
– Pense pelo lado bom, pelo menos eu não estou mentindo pra você. Nosso amor vai ser construído com a verdade.
Ao que ele completava suas palavras, Beatriz foi tomada por um acesso de fúria. Um sentimento profundo, reprimido, veio à tona naquele momento. Incontrolada, começou a esbravejar:
– Então é assim, não é? Pra mim, ninguém nunca mente! Pra mim, todos dizem a verdade! Pois eu quero que você minta pra mim. Só a mulher amada é enganada! Só a mulher amada é protegida com a mentira pelo seu homem, pra que não sofra com suas verdades. Pois eu quero que você minta pra mim! Só assim você vai provar que me ama.
Praxedes, sem reação, sentiu apenas Beatriz se lançar ofegante em seus braços, balbuciando entre beijos:
– Minta pra mim, meu amor. Minta pra mim.

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