SHIVAS – REPENTE


O Cartaginês pirou

Quando um Shivas tomou

No pingo do meio dia

Dizia ser dezoito horas

E cantava Ave Maria

Joaquim Nabuco caba astuto

Batia tambor

Nos fundos da casa

De Dona Canô

O Compadre Galego é presepero

Faz amor com Beto o dia inteiro

Vixe Maria ! Cleópatra ta danada

Em Santa Luzia foi assaltada

São Jose é cantor

Toca na banda de Lazarô

Para o bicho não pegar

Nicanor teve que rebolar

Noé boquero quente

Mata noiado com os dentes

Jesus caba afamado

Lúcifer ele tem tatooado no braço

Foi em Lajeiro Bonito

O ribuliço que tremeu o chão

A peleja de Abraão

Com um Partideiro

Do morro do Alemão

Assaré sujeito honrado

Go go boy a noite

Durante o dia é macho

Patativa é passo brabo

Sorria você esta sendo filmado

Arriégua desconjuro vai de reto

Tudo em vinte quatro vezes sem juro

Raquel poetisa quente

Diz que Fariseus não é gente

Raça de corno

Diz o eleitor

Votar é obrigação

Eleger é abrir mão da salvação

Explica Frei Damião

José F. Borges

Cordelista Amoral

Caba desaforado

Anarquista Macumbero

Pinguço Presepero

Foi preso no Juazeiro

Torando um Burrego

Dom Quixote foi Tenente

Marchante Ambulante

Crente Caba pedante

Viciado em Baralho

Bebi no Bordel Minotauro

Nostradamos foi condecorado

Por seu mestre Zé Ramalho

Alberto Caeiro biritero

Seu irmão Álvaro era dono de um putero

Chove em Mulungu

Um Pardal Suru

Come um prato de Angu

Em Jacaraú

O Teju se abofelou

Com um Timbú

Puta que pariu

Grita o Tatu

Bicho valente

Com bigode de

Onça palita os dentes

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PRECISA-SE DE UM AMIGO


PRECISA-SE DE UM AMIGO

(Vinícius De Moraes)

“Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para se ter a consciência de que ainda se vive…”



“Não precisa de ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaros, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor…” – (Vinícius De Moraes)





“Os amigos verdadeiros são aqueles que vêm compartilhar a nossa felicidade quando os chamamos, e a nossa desgraça sem serem chamados” – (Demétrio de Falera)



“A verdadeira compaixão não consiste em sofrer pelo outro. Se ajudamos uma pessoa que sofre e nos deixamos invadir pelo seu sofrimento, é que somos ineficazes e estamos tão-somente reforçando o nosso ego” – (Dalai Lama)



“Só existem dois dias no ano em que nada pode ser feito. Um se chama “Ontem” e o outro “Amanhã”. Portanto, “ Hoje” é o dia certo para amar, acreditar, fazer e, principalmente, viver” – (Dalai Lama)







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Meu Repente

J.B. Repentista afamado

Por S. Jorge foi convidado

Para torar um Jumento

Justo no dia do casamento

S. Benedito veio com a peleja

Ave maria caba safado

Foi pênalti em Romário!?

Zé Limeira caba da bagaceira

Foi ordenado Padre na Quarta – Feira

Morrendo de frio

Teve uma insolação

Quando foi a pé

Do Alaska ao Sertão

A policia estourou o jogo

D. Pedro diz

Esta tudo bem

Padre Cícero no queijo diz amem!

Lampião caba afamado

Na Suíça foi condecorado

Oito noves fora quatro

Pudim de Jenipapo

Suco de Macaxeira

Acuda roleta na Gafieira

Elias me deu um tiro de baladera

Bakunin pediu a saidera

É cocada boa diz o padre Jose de Anchieta

O por do Sol no nascente

É o apocalipse diz o vidente

No mei da fera o macaco levou peia

Indignado soltou um brado:

Se foi gol me mato!

Foi em Taperoá

Que vi Atena

Se descabelar

Pó um taco de Caju

Deu uma tapa no Dr. Robsú

Davi era um cabinha desaforado

De Êutico era intrigado

Todo Tatuado Heliodoro lhe diz baixinho

Esperança e desespero paridos

Em uma cabaça no Juazeiro

E por fala em Juá

Aquele caba lá

Não consegue mijar

E foi no alto Sertão

Sentindo a brisa costeira

Conheci uma Morena facera

Deus me livre de Cobra

O que não mata engorda

Diz os hindus

Viva eu viva tu viva o rabo do tatu

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Entrevista com Claudio Daniel, editor, tradutor e jornalista brasileiro

Claudio Daniel, pseudônimo de Claudio Alexandre de Barros Teixeira, poeta, tradutor e ensaísta, nasceu em São Paulo (SP), em 1962. Publicou os livros de poesia Sutra (1992) Yumê (1999) e Sombra do leopardo (2001) Publicou e participa de várias antologias, como “Jardim de Camaleões” e “Na Virada do Século, Poesia de Invenção no Brasil” (Landy, 2002), organizada em parceria com Frederico Barbosa, traduziu grandes nomes da literatura,organizou a Galáxia Barroca, Encontro de Poetas Latino-Americano…Enfim, com um perfil poético invejável, ele fala de sua extensa carreira literária para o Beco dos Poetas & Escritores.

1-Você acredita que o maior crítico literário é o tempo?

Sem dúvida. Baudelaire e Flaubert foram considerados autores imorais em sua época, tiveram obras censuradas, foram atacados por críticos de prestígio, como Saint-Beuve. Flaubert chegou a ser processado judicialmente, pela suposta obscenidade do romance Madame Bovary. No Brasil, críticos do prestígio de Sílvio Romero e Érico Veríssimo fizeram pouco caso de autores como Machado de Assis e Cruz e Sousa, e Wilson Martins colocou em segundo plano a obra de Guimarães Rosa, privilegiando Mário Palmério. Na década de 1930, o grande poeta brasileiro, segundo a crítica, não era Drummond nem Murilo Mendes, mas Augusto Frederico Schmidt, que hoje ninguém lê. A Poesia Concreta foi desprezada por muito tempo pela universidade e pela mídia, era chamada de “o rock and roll da poesia” pela revista O Cruzeiro. O que acontece na época atual, além da miopia crônica dos críticos da imprensa diária, que não têm formação teórica e senso estético para julgarem obras inovadoras, é uma tendência a se privilegiar amigos e grupos que ocupam posições de poder e a boicotar tendências estéticas experimentais, que desafiam os cânones apodrecidos. Com o passar do tempo, porém, tudo isso ficará para trás, e o que sobreviverá é a qualidade e não a bajulação. O tempo é o melhor dos críticos literários, como já disse uma vez Frederico Barbosa, porque não é suscetível a elogios, caprichos e sinecuras.

2- Como tradutor como foi a publicação de Jardim de Camaleões?

Recebi um convite de Samuel León, editor da Iluminuras, para organizar e traduzir uma antologia de autores latino-americanos da tendência conhecida como neobarroca, inaugurada na década de 1940 pelo cubano Lezama Lima e que atingiria o seu ponto de ebulição na década de 1970, com a obra de autores seminais como o argentino Nestor Perlongher, o uruguaio Roberto Echavarren e os cubanos Severo Sarduy e José Kozer, entre outros. Recebi o convite em 2000 e o livro foi publicado em 2004, com prefácio de Haroldo de Campos. Reuni poetas de diferentes gerações, desde os fundadores históricos até nomes bem recentes, que estrearam em livro na década de 1990, como o argentino Reynaldo Jiménez e o uruguaio Victor Sosa, além de incluir cinco autores brasileiros: Haroldo de Campos, Paulo Leminski, Horácio Costa, Wilson Bueno e Josely Vianna Baptista. Traduzir esses poetas não foi tarefa fácil, pelo uso excessivo de arcaísmos, neologismos, palavras de uso regional, citações em sânscrito e chinês, metáforas rebuscadas, entre outras dificuldades, mas fiquei satisfeito com o resultado, que foi o ponto de partida de outros trabalhos de maior fôlego que fiz no campo da tradução, como a antologia Íbis amarelo sobre fundo negro, com poemas de José Kozer, que saiu pela Travessa dos Editores.

3- O que é mais importante traduzir ou escrever e publicar sua própria poesia?

Acredito que não existe uma resposta definitiva para essa pergunta. De todo modo, sempre que traduzo, aprendo alguma coisa com o poema na língua original, e esse diálogo criativo acaba enriquecendo a minha própria poesia. De modo similar, meu trabalho poético deixa-me mais à vontade para traduzir, pois sou atento não apenas ao sentido literal, sobretudo à intenção estética do poeta. Uma boa tradução, a meu ver, é a que consegue se equilibrar de forma harmoniosa entre o som e o sentido.

4- Existe diferença no processo de criação de contos e no de uma poesia, como demonstra isso nas suas obras?
Para um autor que escreve apenas prosa de ficção, com certeza, há diferenças no processo criativo, pois o romancista, por exemplo, nem sempre está atento ao som de cada palavra de uma linha que escreve, pois está preocupado com a construção da narrativa. Já o poeta, quando escreve prosa, usa o mesmo rigor e o mesmo processo criativo aplicados em seus poemas, o que explica porque o livro de ficção de um poeta pode levar cinco anos para ficar pronto, como aconteceu com o meu Romanceiro de Dona Virgo. Para o poeta, não há conto, nem poema, nem romance, há imagens, sonoridades, invenção sintática e metafórica, enfim, há linguagem.

5- Como jornalista e poeta como descreve a poesia concreta e a poesia neobarroca nos dia de hoje?

São movimentos que já pertencem à história literária. A poesia concreta teve desdobramentos nas experiências que são feitas hoje por autores como Arnaldo Antunes e Ernesto de Melo e Castro nas mídias eletrônicas, e a poesia neobarroca, apesar de ter surgido há mais de meio século, ainda tem hoje autores criativos (e não epígonos), inclusive jovens brasileiros como Eduardo Jorge e Adriana Zapparoli.

6- Você já participou de várias Antologias, já pensou em fazer uma de sua obra poética, como seria?

O livro Figuras Metálicas – Travessia Poética(1983-2003), que foi publicado em 2004 pela editora Perspectiva, na coleção Signos,.dirigida por Augusto de Campos, é uma antologia dos meus quatro primeiros livros de poesia. É difícil para mim falar de meu próprio trabalho poético, então prefiro citar a “orelha” do livro, assinada por José Arnaldo Villar: “Claudio Daniel apresenta em Figuras Metálicas o registro de sua ‘travessia poética’, percorrida ao longo de vinte anos de labor criativo. Comparecem aqui poemas escritos entre 1983 e 2003, incluídos nos livros Sutra, Yumê e A Sombra do Leopardo, mais o inédito Pequenas aniquilações. Este conjunto de composições revela um autor com voz própria, singular e inquieta. Dialogando com a Poesia Concreta, o Neobarroco, o Simbolismo e o Oriente, realizou uma fusão onde são evidentes as imagens sonoras, que não raro perturbam ou dissolvem o sentido aparente em curiosas associações de termos (“Água-de-serpente para esquecer jamais esta música de peles”). Os poemas são reunidos em ciclos ou séries, como se fossem peças de um quebra-cabeças ou verbetes de uma enciclopédia imaginária. Aqui, as palavras não se curvam à função passiva de apenas retratar ou traduzir o mundo das coisas, mas constituem uma realidade própria, obsessiva. Cada poema é um organismo, com rigorosa concepção estrutural, que distancia-se da lógica linear, discursiva, por meio da elipse, da analogia e da colagem semântica. Este caminho de desfiguração dos vocábulos mimetiza a perda de sentido dos valores culturais em nossa época, regida pela loucura do mercado e da mídia, ao mesmo tempo que aponta para a criação de outras realidades, por meio da poesia.”

7-A publicação de poesia no Brasil parece ter aumentado e uma nova geração de poetas vem surgindo. Você acompanha essa produção?
Há muitos autores interessantes; para citar poucos nomes: Virna Teixeira, André Dick, Eduardo Jorge, Simone Homem de Mello, Leonardo Gandolfi, Adriana Zapparoli, Delmo Montenegro. Sairá em breve, pela Lumme Editor, uma antologia organizada por mim, intitulada Todo começo é involuntário: a poesia brasileira no início do século 21.

8- Nessa nova geração de poetas percebe alguma característica marcante?
A diversidade: há autores minimalistas, neobarrocos, poetas que trabalham com as mídias eletrônicas ou com a etnopoesia, afastando-se da herança já esgotada de Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade – grandes poetas, mas que pertencem a outro século, e que precisam ser lidos hoje sem a intenção da cópia. É preciso buscar outros temas, outras vivências, outras linguagens.

9- Você faz pesquisas sobre poesia africana de língua portuguesa, um novo estilo literário vem aí ?
Tenho pesquisado especialmente a poesia angolana, e um primeiro resultado desse trabalho é a antologia Ovi-Sungo, Treze Poetas de Angola, que saiu há poucos anos pela Lumme Editor. Não sei dizer se surgirá um novo estilo daí, mesmo porque a poesia angolana é muito diversificada, há desde autores que trabalham com a poesia visual e multimídia até autores que reelaboram os temas folclóricos e outros que investem numa escrita hermética, próxima ao barroco, para citar apenas alguns casos. Gosto muito de autores como Arlindo Barbeitos, David Mestre, João Maimona, Abreu Paxe, que têm dicções fortes e personalíssimas.

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TUIG

Estou na Legião que ficou por ai…
Você pode me sentir no alivio do asco que todos sentiam por min! Veja-me nos céus incandescente como astros decadentes.
Ao som dos sonhos destroçados compro pães e cigarros…
E na pantomima de eventos funestos vem na minha cabeça o estranho desejo por teus beijos!
Nas suas melodias: Amor, traições & fantasias! Juntos em uma Alquimia, doses de ant-magia!
Sabe o que me causa horror? É saber que o desgosto que sinto é proporcional ao meu amor! E por falar nesta massa gigantesca vem aos olhos lagrimas de tanta tristeza!
Como se n bastasse o peso do fracasso, agora tenho nas recordações meu calvário.
Seu corpo é um templo que Jaz no altar de minhas lembranças! Nossos momentos e segredos outrora ocultos do mundo inteiro hoje são pichações de banheiro.
E no bar local sagrado que jurei te amar brindo as novas dores que hão de chegar!

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TUIG II

E sobre todas aquelas coisas que murmurei em prantos hoje é meu acalanto sua não compreensão / tais palavras contendo tanto sentimento são como vento lambendo um paredão / tais coisas contendo tanta verdade / sinceridade é visto como apelação.
… E nas correntezas dos amores profundos / maior que a dor / maior que o mundo torna-se nula qualquer reaproximação!
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JACARAPÉ II


Abro uma garrafa de Vinho às outras mergulho no Rio frio.
Não possuo intimidade com o Mar de Inverno, não aquela que ser cria com o tato…
Fico intimidado por suas águas cinzas, frias…
Sua Mística Sombria possui uma Sensualidade que é captada apenas pelo medo!
O Mangue que me observa de boca aberta em min desperta uma estranha sensação em comunhão com esse sentimento transformo palavras em ungüento para aqueles lazarentos que nos corpos levam as chagas da Solidão!

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Barba Azul

João Pessoa Chora! A Penha estar de luto! Um de seus filho talvez o mais sagaz e astuto fez a passagem para o outro mundo…
Zé Ramalho contemporâneo de geração com consternação no coração em sua homenagem fez uma canção!
E esse hino ecoa nos quatro cantos da terra na boca de todos aqueles que fazem da efêmera vida, eterna!
Nos olhos desse tipo de gente vais perceber que sua pupila traduz sua crença e sua religião é sua vivencia!
A cidade estar fria, Cinza, Triste…
…por não saber que nosso Pirata ainda existi! Quem deixa filhos sobre a terra faz de sua vida eterna!


Homenagem ao Pai do Gordo.

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04/06/10

Você sabe quem sou eu!…

Em detalhes pode me descrever!

As lagrimas ganham vida

Quando descreves o entardecer…

Sou capaz de tocar o castelo

Que você descreveu e seguindo tuas palavras

Penso que o infinito sou eu!

Mais e você?

Sem as Metáforas onde vai se esconder?

Tire a Mascara…

Desça do palco!

Apresento-lhe a você!

Ser que “só faz peso na terra”

Tudo que é poeta é Maldito!

…do Bêbado ao erudito…

Do Ateu ao cristão!

Tenho Nojo desta raça que toda

Vida passa a semear a desgraça com ares de remissão…

Morte! a esse monstro soturno que bebi na fonte do Absurdo!

Morte! a esse ser hediondo que sacia-se no copo do abandono!

Morte! a esse prostituto que faz de todas as dores seu Luto!

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