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ADONIRAN BARBOSA


Adoniran Barbosa
Ícone do samba paulista completa 100 anos em 2010

São Paulo, agosto de 2010 – Há exatos 100 anos, em 6 de agosto de 1910, nascia João Rubinato em Valinhos (SP). Criado no bairro do Bixiga, na capital paulista, o filho de imigrantes italianos teve diversas profissões antes de se tornar um dos nomes mais conhecidos do samba paulista. Difícil identificar quem é? Nem tanto! Provavelmente você conhece Adoniran Barbosa, autor de sucessos como Tiro ao Álvaro, Saudosa Maloca, Trem das Onze e tantas outras são já clássicos de nossa música.

De voz rouca e cantando em português errado, com um sotaque típico do Bixiga, ele compôs e cantou uma São Paulo em crescimento e o cotidiano dos menos favorecidos, seus desamores e problemas de forma bem humorada, quase como uma crônica social. Mesmo com o sonho de ser ator (e foi), começou a carreira artística no rádio, onde criou o personagem Adoniran Barbosa, que acabou adotando por causa da popularidade.

Sua trajetória como músico, como cantor, suas história, o rádio e a TV, seu personagem Charutinho, a parceria com os Demônios da Garoa, e muito mais, são contadas em biografias recentes. Confira abaixo:

Para um dos cronistas de São Paulo, Lourenço Diaféria, Adoniran era um pedaço da alma desta cidade. “Não construiu o concreto, não a pedra, não a matéria – mas foi o obreiro do alicerce poético de São Paulo. Integrado na vida urbana deste vulcão maluco, foi um pouco beija-flor, um pouco corvo, que paira adeja, mergulha e se dilui. Mas volta sempre ao horizonte, quer nos miasmas, quer nos perfumes. Nada do que era a cidade foi estranho a Adoniran. Ele cantou o amor, o desespero, a exploração imobiliária, a alegria, o trânsito, o cavaco, o progresso, o trabalho a morte e – sempre, a todo o momento – o homem. Restamos todos um pouco Arnestos, Iracemas, Jocas e Mato Grossos feridos pelo desmoronamento dos tijolos desse barraco frágil, desajeitado, mambembe e transitório que é a vida. Com a morte de Adoniram, a sensibilidade precária e a poesia tosca de São Paulo fica ao relento. É como se o trem das onze tivesse levado, numa nuvem de jaçanãs, enquanto ficamos na estação, o lenço branco da saudade, acenando em vão. A menos que sejamos práticos e frios: então diremos que, na verdade, o poeta não morre. Ele apenas constrói sua missão, alimenta a alma da cidade – e depois sai a tocar seu cavaquinho para os anjos.”
(Autores Solange Fonzar, colunista ONNE e Fred Rossi)

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ENTREVISTA COM O EDITOR DA WEB LIVROS, REYNALDO DAMAZIO


“A poesia acontece quando alguém desconfia da linguagem e tenta reinventá-la, achando que, com isto, pode mudar a própria realidade, ou a nossa compreensão dela. Às vezes dá certo.”
Autor da frase acima, Reynaldo Damazio, (São Paulo, 1963) trabalha como editor e escreve resenhas e artigos sobre literatura, faz parte do conselho editorial de “K – Jornal de Crítica” e dirige o site Weblivros.
Autor de vários livros importantes na literatura brasileira, sendo um deles de poesia “Horas Perplexas” vencedor em 2º lugar do prêmio Alphonsus de Guimaraens , participante de 3 antologias de renome,”Na Virada do Século, Poesia de Invenção no Brasil” (Landy, 2002)” juntamente com os amigos Claudio Daniel e Frederico Barbosa,” Paixão por São Paulo” e “Antologia comentada da poesia brasileira do séc. 21”..esse jornalista brasileiro e fã de Lima Barreto nos fala em sábias palavras sua trajetória literária entre divulgação de contos e poesias ao nosso site.

1- Como surgiu seu interesse por poesia, crítica literária e animador cultural?

R – O interesse por literatura vem de muito cedo. Ganhei uma coleção de contos dos irmãos Grimm, de Perrault e de Andersen de minha avó, ilustrada com bonecos de pano, e praticamente me alfabetizei com esses livros. Tenho alguns volumes da coleção até hoje. Meu pai também inventava histórias para me fazer dormir e ainda me lembro de algumas. Depois, com oito anos de idade, pedia a ele para comprar o jornal de domingo e ficava lendo aleatoriamente aquele calhamaço. Coisa de maluco! Fiz os primeiros textos com alguma finalidade literária na adolescência. Eram ruins, mas ajudavam no relacionamento com as garotas. A crítica literária surgiu de meu interesse por leitura e não foi uma coisa programada. Gosto de ler ensaios do mesmo modo que um romance, ou um livro de contos. Tudo é escritura. Hoje, penso que mais importante do que escrever livros é ler bem, com paixão e inteligência, em profundidade. Antes de publicar, um autor deve se preocupar em ler muito, o tempo todo, sem descanso. Ler é primordial. Por fim, o trabalho com animação cultural foi uma decorrência da minha ligação com livros e escritores. Digamos que seja um fetiche pessoal que transformei em meio de sobrevivência.

2- Em seu livro ”Nu entre nuvens” você usa a expressão “arremedo de tatibitate” quando escreveu isso, que esperava que o leitor interpretasse quando lesse?

R – Há sempre nos meus poemas uma dose de ironia crítica, com o mundo e com a linguagem. Mesmo quando estou falando do corpo feminino, da desilusão com os grandes projetos, dos meus filhos ou da vítima de uma bala perdida. Fazer poesia é lidar com os limites do dizer, da compreensão, da opacidade do real, das contradições da história, numa mistura bizarra de sensibilidade e cognição. A expressão que você cita na pergunta se refere às repetições das bobagens infinitas que são ditas e consagradas como se fossem verdades absolutas, mas pode ser também um bordão qualquer, uma frase de efeito, um slogan de publicidade, um jargão acadêmico, ou qualquer outra coisa que o leitor descubra. No contexto mais amplo do poema, falo do vazio que está na raiz de toda palavra, de todo pensamento, que é o abismo da significação.

3- Qual sua opinião sobre a “transição” do livro físico para o livro eletrônico, um substitui o outro ou se completam?

R – Acho legal a tecnologia como ferramenta para agilizar a comunicação e o acesso à informação, mas quando o livro impresso “acabar”, tenho certeza que termina com ele a nossa civilização. Pode ser que comece outra coisa, um outro processo, mas não estarei mais aqui para ver. Duvido que alguém leia “Grande sertão: veredas”, de Guimarães Rosa, ou “Ulisses”, de James Joyce, integralmente num e-reader. A tendência será ler textos mais curtos e de menor complexidade, como a linguagem que se cristaliza na internet, em sites, blogs, twitter, msn etc. Vi recentemente uma versão eletrônica de “Alice no país das maravilhas”, de Carroll, cujos efeitos visuais não acrescentavam nada ao texto, além do movimento das ilustrações. Quero dizer que as leituras e releituras que fiz desse livro fantástico não dependeu de efeitos visuais ou externos, porque a qualidade textual é o que realmente importa. Os efeitos servem, por exemplo, para disfarçar um texto fraquinho e enganar o leitor inexperiente. Não quero parecer antiquado, mas um texto de Beckett ou de Drumonnd terá a mesma qualidade no papel ou noutro meio qualquer. Difícil é suportar a leitura prolongada de um texto complexo na telinha. Umberto Eco, Robert Danton e Roger Charter, entre outros, têm refletido sobre a importância da palavra impressa na formação da cultura.

4- Na sua interpretação, como a leitura pode levar poetas e aprendizes a tomar consciência do seu potencial criativo e transformador?

R – O escritor de verdade é antes de tudo um bom leitor. Ninguém se torna escritor sem antes ser um leitor exigente. É preciso ler grandes autores, grandes obras, de tempos e culturas diversos. Não sei se a leitura ajuda a tomar consciência do próprio potencial, mas certamente trará um aprendizado no manejo da escrita e uma visão crítica do mundo. O aprendiz de poeta ou de escritor deve ter consciência de seus limites. Para escrever um bom poema é imprescindível conhecer bem o gênero poesia.

5- Como editor como vê a divulgação de contos e poesias através da internet?

R – Uso diariamente a internet e o trabalho de produção editorial normalmente é realizado à distância. Além disso, a internet é um instrumento poderoso de divulgação, por seu alcance extraordinário. Pode ser útil tanto na divulgação de obras e autores, como nas vendas de longa distância e na democratização do acesso à literatura. É necessário, ainda, que mais pessoas tenham computadores e condições de navegar. Por outro lado, o acesso deve ser qualificado, crítico, inteligente. Tomando como exemplo o livro: não adianta você dar livros a alguém que não saberá o que fazer com eles. Por isso, a educação de qualidade também é essencial.

6- Você fez mestrado sobre a obra de Lima Barreto, qual das obras dele te inspirou?

R – Não concluí ainda a pesquisa. O romance “Triste fim de Policarpo Quaresma” causou um grande impacto quando o li no Ensino Médio. Tive uma professora fantástica que instigava a leitura e a discussão de autores importantes. Foi numa dessas aulas que descobri a poesia concreta, por exemplo. Lima Barreto é um dos precursores de nosso modernismo, ao lado do poeta Augusto dos Anjos, ainda que os modernistas o tenham ignorado completamente. Enfrentou uma barra pesadíssima com o alcoolismo, a pobreza, a loucura do pai e lutou contra o meio tacanho das elites do país. Tocou na ferida das desigualdades e do preconceito. Introduziu o pobre real na literatura brasileira e transitava com naturalidade da delicadeza humana à denúncia de nossas misérias sociais e políticas. Foi obscurecido pela figura grandiosa de Machado de Assis e por suas idiossincrasias pessoais, mas deixou uma obra fascinante, como invenção e como retrato de uma época de transformações agudas. Os contos de Barreto são originais e provocadores. O livro “Vida e morte M. J. Gonzaga de Sá” dialoga com os últimos romances de Machado. Muito do que se faz hoje na prosa brasileira vem de Lima Barreto.

7- No seu ponto de vista como está a Literatura Contemporânea atualmente?

R – Essa pergunta é muito ampla e de difícil resposta. No caso da literatura brasileira, creio que exista uma produção intensa, mas também uma grande dispersão. Na prosa, noto certo apego exacerbado ao real, especialmente à violência urbana e a solidão nas grandes cidades, mas sem muita ousadia formal e temática. Em poesia predomina um certo confessionalismo epigramático e uma obsessão por cenários exóticos, como se a paisagem fosse capaz de fundamentar o poético. Tenho lido com interesse poetas que lidam com a poesia como um problema, tanto na compreensão do real como na construção de uma linguagem de fato desestabilizadora. O poema que registra a satisfação narcisista do poeta com o próprio ego não me diz nada.

8- Seu site Weblivros publica resenhas, ensaios e entrevistas qual dessas tendências literárias provoca mais comentários dos leitores e por quê?

R – Os comentários e acessos são bem distribuídos, mas noto que chama mais a atenção o material relacionado a nomes consagrados. No entanto, os textos dos colunistas, por exemplo, têm muitos acessos e isso é constante, o que demonstra certo interesse por reflexões sobre literatura um pouco mais densas. Creio que ampliar os espaços para o comentário de literatura represente uma causa nobre e necessária nos dias de hoje. Essa foi a proposta do Weblivros desde o início.

9- Com sua obra “Horas Perplexas” você ganhou o 2º lugar no Prêmio Alphonsus de Guimaraens, a poesia desse escritor brasileiro é marcadamente mística e envolvida com religiosidade, o que suas poesias tem haver com o estilo literário dele?

R – Fiquei surpreso e honrado com o segundo lugar no prêmio da Biblioteca Nacional, mas minha poesia não tem nenhuma relação com a de Alphonsus de Guimaraens, ao menos que eu saiba. Conheço a poesia dele, mas não se trata de um autor que me cative e com o qual me identifique.

10- Com o advento da internet, o modelo de print on demand e a chegada de sites que publicam e comercializam livros facilitando ao autor independente a divulgação, comercialização e impressão dos próprios livros, surgiu uma nova “safra” de autores entre tantos, qual deles gostaria de fazer uma resenha de sua obra ou carreira literária e por quê?

R – Sobre os que estão começando, talvez seja muito cedo para avaliar. Conheço livros originalmente veiculados na internet que me decepcionaram bastante. O suporte não define a qualidade de um texto e a facilidade na circulação e na publicação também permite que muita coisa de qualidade duvidosa se espalhe por aí. Por isso me parece fundamental que a intensidade da leitura crítica seja proporcional à quantidade de publicações.

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Entrevista com Claudio Daniel, editor, tradutor e jornalista brasileiro

Claudio Daniel, pseudônimo de Claudio Alexandre de Barros Teixeira, poeta, tradutor e ensaísta, nasceu em São Paulo (SP), em 1962. Publicou os livros de poesia Sutra (1992) Yumê (1999) e Sombra do leopardo (2001) Publicou e participa de várias antologias, como “Jardim de Camaleões” e “Na Virada do Século, Poesia de Invenção no Brasil” (Landy, 2002), organizada em parceria com Frederico Barbosa, traduziu grandes nomes da literatura,organizou a Galáxia Barroca, Encontro de Poetas Latino-Americano…Enfim, com um perfil poético invejável, ele fala de sua extensa carreira literária para o Beco dos Poetas & Escritores.

1-Você acredita que o maior crítico literário é o tempo?

Sem dúvida. Baudelaire e Flaubert foram considerados autores imorais em sua época, tiveram obras censuradas, foram atacados por críticos de prestígio, como Saint-Beuve. Flaubert chegou a ser processado judicialmente, pela suposta obscenidade do romance Madame Bovary. No Brasil, críticos do prestígio de Sílvio Romero e Érico Veríssimo fizeram pouco caso de autores como Machado de Assis e Cruz e Sousa, e Wilson Martins colocou em segundo plano a obra de Guimarães Rosa, privilegiando Mário Palmério. Na década de 1930, o grande poeta brasileiro, segundo a crítica, não era Drummond nem Murilo Mendes, mas Augusto Frederico Schmidt, que hoje ninguém lê. A Poesia Concreta foi desprezada por muito tempo pela universidade e pela mídia, era chamada de “o rock and roll da poesia” pela revista O Cruzeiro. O que acontece na época atual, além da miopia crônica dos críticos da imprensa diária, que não têm formação teórica e senso estético para julgarem obras inovadoras, é uma tendência a se privilegiar amigos e grupos que ocupam posições de poder e a boicotar tendências estéticas experimentais, que desafiam os cânones apodrecidos. Com o passar do tempo, porém, tudo isso ficará para trás, e o que sobreviverá é a qualidade e não a bajulação. O tempo é o melhor dos críticos literários, como já disse uma vez Frederico Barbosa, porque não é suscetível a elogios, caprichos e sinecuras.

2- Como tradutor como foi a publicação de Jardim de Camaleões?

Recebi um convite de Samuel León, editor da Iluminuras, para organizar e traduzir uma antologia de autores latino-americanos da tendência conhecida como neobarroca, inaugurada na década de 1940 pelo cubano Lezama Lima e que atingiria o seu ponto de ebulição na década de 1970, com a obra de autores seminais como o argentino Nestor Perlongher, o uruguaio Roberto Echavarren e os cubanos Severo Sarduy e José Kozer, entre outros. Recebi o convite em 2000 e o livro foi publicado em 2004, com prefácio de Haroldo de Campos. Reuni poetas de diferentes gerações, desde os fundadores históricos até nomes bem recentes, que estrearam em livro na década de 1990, como o argentino Reynaldo Jiménez e o uruguaio Victor Sosa, além de incluir cinco autores brasileiros: Haroldo de Campos, Paulo Leminski, Horácio Costa, Wilson Bueno e Josely Vianna Baptista. Traduzir esses poetas não foi tarefa fácil, pelo uso excessivo de arcaísmos, neologismos, palavras de uso regional, citações em sânscrito e chinês, metáforas rebuscadas, entre outras dificuldades, mas fiquei satisfeito com o resultado, que foi o ponto de partida de outros trabalhos de maior fôlego que fiz no campo da tradução, como a antologia Íbis amarelo sobre fundo negro, com poemas de José Kozer, que saiu pela Travessa dos Editores.

3- O que é mais importante traduzir ou escrever e publicar sua própria poesia?

Acredito que não existe uma resposta definitiva para essa pergunta. De todo modo, sempre que traduzo, aprendo alguma coisa com o poema na língua original, e esse diálogo criativo acaba enriquecendo a minha própria poesia. De modo similar, meu trabalho poético deixa-me mais à vontade para traduzir, pois sou atento não apenas ao sentido literal, sobretudo à intenção estética do poeta. Uma boa tradução, a meu ver, é a que consegue se equilibrar de forma harmoniosa entre o som e o sentido.

4- Existe diferença no processo de criação de contos e no de uma poesia, como demonstra isso nas suas obras?
Para um autor que escreve apenas prosa de ficção, com certeza, há diferenças no processo criativo, pois o romancista, por exemplo, nem sempre está atento ao som de cada palavra de uma linha que escreve, pois está preocupado com a construção da narrativa. Já o poeta, quando escreve prosa, usa o mesmo rigor e o mesmo processo criativo aplicados em seus poemas, o que explica porque o livro de ficção de um poeta pode levar cinco anos para ficar pronto, como aconteceu com o meu Romanceiro de Dona Virgo. Para o poeta, não há conto, nem poema, nem romance, há imagens, sonoridades, invenção sintática e metafórica, enfim, há linguagem.

5- Como jornalista e poeta como descreve a poesia concreta e a poesia neobarroca nos dia de hoje?

São movimentos que já pertencem à história literária. A poesia concreta teve desdobramentos nas experiências que são feitas hoje por autores como Arnaldo Antunes e Ernesto de Melo e Castro nas mídias eletrônicas, e a poesia neobarroca, apesar de ter surgido há mais de meio século, ainda tem hoje autores criativos (e não epígonos), inclusive jovens brasileiros como Eduardo Jorge e Adriana Zapparoli.

6- Você já participou de várias Antologias, já pensou em fazer uma de sua obra poética, como seria?

O livro Figuras Metálicas – Travessia Poética(1983-2003), que foi publicado em 2004 pela editora Perspectiva, na coleção Signos,.dirigida por Augusto de Campos, é uma antologia dos meus quatro primeiros livros de poesia. É difícil para mim falar de meu próprio trabalho poético, então prefiro citar a “orelha” do livro, assinada por José Arnaldo Villar: “Claudio Daniel apresenta em Figuras Metálicas o registro de sua ‘travessia poética’, percorrida ao longo de vinte anos de labor criativo. Comparecem aqui poemas escritos entre 1983 e 2003, incluídos nos livros Sutra, Yumê e A Sombra do Leopardo, mais o inédito Pequenas aniquilações. Este conjunto de composições revela um autor com voz própria, singular e inquieta. Dialogando com a Poesia Concreta, o Neobarroco, o Simbolismo e o Oriente, realizou uma fusão onde são evidentes as imagens sonoras, que não raro perturbam ou dissolvem o sentido aparente em curiosas associações de termos (“Água-de-serpente para esquecer jamais esta música de peles”). Os poemas são reunidos em ciclos ou séries, como se fossem peças de um quebra-cabeças ou verbetes de uma enciclopédia imaginária. Aqui, as palavras não se curvam à função passiva de apenas retratar ou traduzir o mundo das coisas, mas constituem uma realidade própria, obsessiva. Cada poema é um organismo, com rigorosa concepção estrutural, que distancia-se da lógica linear, discursiva, por meio da elipse, da analogia e da colagem semântica. Este caminho de desfiguração dos vocábulos mimetiza a perda de sentido dos valores culturais em nossa época, regida pela loucura do mercado e da mídia, ao mesmo tempo que aponta para a criação de outras realidades, por meio da poesia.”

7-A publicação de poesia no Brasil parece ter aumentado e uma nova geração de poetas vem surgindo. Você acompanha essa produção?
Há muitos autores interessantes; para citar poucos nomes: Virna Teixeira, André Dick, Eduardo Jorge, Simone Homem de Mello, Leonardo Gandolfi, Adriana Zapparoli, Delmo Montenegro. Sairá em breve, pela Lumme Editor, uma antologia organizada por mim, intitulada Todo começo é involuntário: a poesia brasileira no início do século 21.

8- Nessa nova geração de poetas percebe alguma característica marcante?
A diversidade: há autores minimalistas, neobarrocos, poetas que trabalham com as mídias eletrônicas ou com a etnopoesia, afastando-se da herança já esgotada de Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade – grandes poetas, mas que pertencem a outro século, e que precisam ser lidos hoje sem a intenção da cópia. É preciso buscar outros temas, outras vivências, outras linguagens.

9- Você faz pesquisas sobre poesia africana de língua portuguesa, um novo estilo literário vem aí ?
Tenho pesquisado especialmente a poesia angolana, e um primeiro resultado desse trabalho é a antologia Ovi-Sungo, Treze Poetas de Angola, que saiu há poucos anos pela Lumme Editor. Não sei dizer se surgirá um novo estilo daí, mesmo porque a poesia angolana é muito diversificada, há desde autores que trabalham com a poesia visual e multimídia até autores que reelaboram os temas folclóricos e outros que investem numa escrita hermética, próxima ao barroco, para citar apenas alguns casos. Gosto muito de autores como Arlindo Barbeitos, David Mestre, João Maimona, Abreu Paxe, que têm dicções fortes e personalíssimas.

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Entrevista com Mara Gabrilli

“Sempre gostei de transformar. Acredito que quando melhoro a vida de alguém, a minha melhora junto. Estou sensibilizando a Câmara com relação aos temas de inclusão social.”

É assim que define-se Mara Gabrilli, 42 anos, psicóloga e publicitária, é vereadora na cidade de São Paulo. Sua trajetória como empreendedora social começou há 12 anos, quando fundou a organização não-governamental Projeto Próximo Passo (PPP), apenas dois anos depois de sofrer um acidente de carro e ficar tetraplégica.

“Precisei respirar com ajuda de aparelhos nos seis primeiros meses e ficava angustiada por estar dependente de uma tomada. E se acabasse a luz? O que faria? Quando pude respirar sozinha, a sensação foi de muita liberdade, que o fato de não andar mais não pesou muito”, conta Mara.

“ Mas foi no momento em que retomei minha vida cotidiana, que percebi como era ser brasileiro com deficiência na cidade de São Paulo. Percebi que faltava informação. Faltava acesso. Faltava muita coisa.” Mara criou a PPP para melhorar a qualidade de vida e promover o esporte para pessoas com deficiência e fomentar as pesquisas científicas para cura de paralisias. (Saiba mais: www.ppp.org.br) É com essa energia contagiante de mulher brasileira que não desiste nunca, que respondeu carinhosamente as perguntas da entrevista ao Literatura Periférica/ Beco dos Poetas.

1-Se a” Mara de hoje” encontrasse com a “Mara de ontem” o que ela elogiaria e que desaprovaria?
!
Ela elogiaria a sua determinação e bom humor para encarar todas as adversidades que a vida lhe impôs e desaprovaria sua mania chata de não seguir à risca os horários.

2- Entre as mudanças da sua vida atual o te orgulha mais e por quê?
Me orgulho do reconhecimento do meu trabalho, pois é por meio dele que vejo o quão as pessoas melhoraram a vida e como a concepção da sociedade sobre o que é deficiência mudou também. É gratificante saber que o olhar para o diferente começou a fazer parte do cotidiano das pessoas.

3- No seu livro’ Íntima Desordem’, você retrata fatos cotidianos e reflexões profundas de sua vida pessoal, o que esperava que o autor sentisse quando lesse seu livro?
Não sei extamente o que as pessoas iriam sentir, até porque a interpretação das crônicas é muito relativa. A minha intenção na verdade era mostrar minhas inquietações, desejos, críticas sociais. Tudo através do meu universo.

4- Quando se fala em Literatura o que lhe vem à cabeça?
Liberdade. Sempre gostei de escrever. Para mim é uma maneira de refletir sobre as coisas e me encontrar comigo mesma. Acredito que ao escrever conseguimos nos livrar de várias agruras da nossa alma. E às vezes também conseguimos tocar outras pessoas com nossas reflexões. Esta sinergia que as palavras proporcionam entre autor e leitor é incrível.

5- Quais seus projetos culturais como vereadora?
Criei o projeto Arte Inclui, que levou mais de 14 mil pessoas com deficiência aos espaços culturais da cidade; elaborei o PL das casas de shows – que proíbe as mesmas de cobrar mais de um ingresso às pessoas com deficiência; sou autora do Projeto Ler Para Crer – que permite o acesso das pessoas com deficiência visual às obras disponíveis nos acervos das bibliotecas municipais, além disso fui uma das autoras do Projeto das Feiras de Artesanato, que tem por objetivo regularizar e promover este tipo de evento na nossa cidade.

6- O que te motivou a aceitar o convite para o ensaio sensual na revista Trip ?
As pessoas têm (pelo menos tinham) uma visão muito estigmatizada de quem possui uma deficiência. Sempre houve uma concepção de que pessoa com deficiência é feia, digna de pena… Quis mostrar que isso não é verdade. Acho que depois das fotos o olhar para o assunto começou a ganhar novos recortes. E o melhor é que outras pessoas, principalmente as mulheres com deficiência, passaram a resgatar a sua autoestima e se valorizarem.

7- Ter posado pra revista já causou algum problema em sua atividade como vereadora ( se for sim) como resolveu isso?
Não me trouxe problema algum. O ensaio foi sensual e não apelativo. Acredito que a minha postura sempre impôs respeito a todos que trabalham comigo.

8- A nova lei de inclusão nas empresas é uma oportunidade aos deficientes de mostrar seu trabalho ou apenas um marketing social da empresa?
Na verdade a Lei de Cotas já tem 18 anos. De nova não tem nada. Acontece que pelo fato do assunto não ter sido divulgado antes, as pessoas desconhecem. Por mais que as empresas contratem com objetivo de fazer marketing os benefícios que esta lei proporcionou às pessoas com deficiência é inegável. Claro, ainda falta muita gente no mercado de trabalho, mas aos poucos estamos conquistando o nosso espaço.

9- Como você vê a criação da primeira Faculdade de Educação Inclusiva do Brasil – (Faculdade de Educação Inclusiva Paulista – FEIP)?
Vejo com bons olhos e acredito que o pensamento assistencialista que reinava em grande parte da nossa realidade está mudando. As pessoas estão procurando os seus direitos, buscando ser incluídas na sociedade. A criação desta faculdade é um exemplo disto.
10-Fale da ONG “Um Próximo Passo”, que hoje se chama “Fundação Mara Gabrilli”.

O Instituto Mara Gabrilli, do qual que sou fundadora, nasceu depois que sofri o acidente e resolvi fundar uma ONG para fomentar pesquisas sobre paralisias. Foi por meio destas pesquisas que acabei conhecendo diversas pessoas com deficiência – que passaram a pedir patrocínio da ONG para competir em modalidades esportivas. Estas pessoas tinham muita vontade de transformar, mas não tinham acessos. Resolvi buscar recursos para o Instituto para apoiar estes atletas. Aos poucos fomos conquistando muita coisa. Chegamos a apoiar 80 atletas, sendo que alguns destes foram às Paraolimpíadas de Pequim e trouxeram medalhas de ouro para o Brasil.

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Projeto Literário-Todo autor quer ser publicado

Leia a Portaria publicada no diario Oficial da União: (clik no link)
Portaria diário Oficial da União.pdf

Síntese do Projeto : Projeto literário, de incentivo á leitura e novos poetas receberemos textos de todo o Brasil selecionando através de banca julgadora ou por voto popular via internet e SMS, premiaremos os 50 primeiros colocados com a publicação de um livro solo e contrato editorial por um período de um ano, os demais participantes terão cada qual um texto publicado em nossa antologia coletiva, uma coleção composta por 50 volumes, totalizando assim 100 novos títulos e centenas de autores benefíciados. Situação: Autorizada a captação total dos recursos Obs: Maiores informações consultar no Portal do Ministério da Cultura Pronac: 100515 Projeto: Concurso Literário Beco dos Poetas – Todo Autor quer ser Publicado
Proponente: Marcio Marcelo do Nascimento Sena

Comunicamos a todos os membros do Movimento Literário Beco dos Poetas & Escritores (Membros dos sites www.becodospoetas.com.br , http://www.literaturaperiferica.ning.com e Blog- www.literaturaperiferica.com.br) e Patrocinadores Culturais o inicio da Captação de Recursos amparado na Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei nº 8.313 de 23 de dezembro de 1991) para o nosso Projeto Cultura “Concurso Literário Beco dos Poetas – Todo Autor quer ser Publicado” que possibilitará á publicação de 50 livros individuais e 50 antologias mista compartilhada entre todos os participantes inscrito no concurso finalizado o projeto seguirá da distribuição de 1000 livros gratuitamente entre inúmeras bibliotecas públicas levando os trabalhos a apreciação dos leitores e assinatura de contrato editorial com o Grupo Editorial Beco dos Poetas & Escritores Ltda e eventuais parceiros Editoriais.

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